segunda-feira, 1 de abril de 2013

Açu urgente: agricultores precisam de solidariedade ativa contra ameaça de expulsão sumária


A essas alturas do campeonato muitos já sabem da tentativa frustrada de expulsar de suas terras a agricultura Georgina da Silva e seus familiares na localidade de Água Preta que ocorreu na semana passada. Como já observei aqui neste blog, essa expulsão está se dando a partir da justificativa que a terra da família da senhora Georgina é necessária para a passagem da linha de transmissão de energia que a multinacional AMPLA vai construir para abastecer o Complexo Industrial-Portuário do Açu do Grupo EBX.

Como também já notei aqui, essa expulsão viola os ditames do Artigo 265 da Constituição Estadual do Rio de Janeiro, visto que nenhuma das condições ali estabelecidas estão sendo cumpridas. Além disso, o uso desproporcional de força contra uma família de humildes agricultores de uma pequena propriedade onde vivem há quase 70 anos representa uma inaceitável violação não apenas dos direitos de propriedade, mas da dignidade humana.

Assim é que me parece igualmente inaceitável que isto esteja se dando sem que a Ordem dos Advogados do Brasil, os movimentos sociais e os partidos de esquerda (PCB, PSOL, PSTU) que existem e atuam nas cidades de Campos dos Goytacazes e São João da Barra não estejam neste momento totalmente mobilizados para prestar a devida assistência à família da senhora Georgina. Essa semana deverá ocorrer uma nova tentativa de expulsão da dona Georgina e seus familiares, como anunciaram os membros da "tropa de choque" que esteve em Água Preta na semana passada, o que aumenta a urgência de que a solidariedade a essas pessoas ocorra.

A questão é que depois que as casas forem derrubadas e as famílias colocadas na rua da amargura vai ser difícil convencer os agricultores do V Distrito de São João da Barra de que eles não estão completamente abandonados à própria sorte para enfrentar inimigos tão poderosos quanto implicáveis.

Finalmente, ainda tem gente cara-de-pau que vai condenar a resistência das famílias que estão sendo expulsas de terras das quais possuem toda a documentação. Mas para esses caras-de-pau não há mesmo jeito, pois lhes falta o mínimo compromisso com a ética e a dignidade humana.